Cadê a vacina que estava aqui?

A variante Delta bate à porta da cidade-mãe do Paraná. Nesta semana, um navio que tinha como destino o Porto de Paranaguá se tornou notícia nacional. Um tripulante morreu e dois estão hospitalizados porque foram contaminados com a variante indiana. 

Pesquisadores do Imperial College, de Londres, e da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que a cepa indiana é 97% mais contagiosa que a cepa original do coronavírus. 

Com 14 mil trabalhadores ligados à atividade portuária, não é preciso ser muito bom em matemática para entender o risco que a Delta representa para a cidade. 

Também é de conhecimento de todos, principalmente das autoridades em saúde, que o único método eficaz para frear o avanço da pandemia e de suas variantes se chama  vacinação em massa. O secretário Beto Preto sabe disso. Tanto sabe que intensificou a imunização nas regiões de divisa. Mas, em Paranaguá, cidade que faz fronteira com o mundo via porto, o movimento foi inverso. 

A cidade ia muito bem na imunização da população – exatamente pela presença do porto – e, há pouco menos de um mês, teve queda estimada em 30% no recebimento de vacinas. 

A título de comparação: no dia 15 de julho, o Paraná recebeu 235.500 doses de vacinas. 45 mil foram “exclusivas para moradores de quatro cidades da região de fronteira para controlar o avanço da variante delta”, segundo notícia publicada pela Agência Estadual de Notícias (AEN). Na mesma data, o litoral paranaense recebeu, para dividir entre as sete cidades, 3.125 doses. 

Você pode argumentar que os trabalhadores portuários já receberam a vacina. É verdade. Mas também é verdade que a vacina não impede a contaminação ou a transmissão, ela atua na prevenção da forma grave da Covid-19. Logo, o trabalhador que sai do porto e passa em uma padaria antes de ir pra casa, em uma farmácia, em um supermercado, correrá o risco de estar disseminando a doença pela cidade. Ele estará protegido. Já as pessoas com quem ele teve contato, provavelmente, não. 

Se houvesse uma administração inteligente da pandemia, todas as cidades com potencial para “porta de entrada” da variante seriam totalmente imunizadas de forma breve e por razões óbvias. 

Olhando o histórico da pandemia no Paraná, percebe-se que o governo não teve dificuldade em fechar a fronteira quando foi necessário. Já o porto, esse não parou nem por um minuto. O problema é que, como diz a sabedoria das mamães e vovós, para o governo estadual é só o “venha a mim”. E ao vosso reino? Nada!

3 comentários sobre “Cadê a vacina que estava aqui?

  1. Da a impressão que para o estado só valem os recordes que o porto de Paranaguá bate a cada ano$$$$$$. Todo o entorno do porto, a cidade que o abriga e seus trabalhadores, parecem não ter a mesma importância

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