Importunação sexual, precisamos falar sobre isso

Nos últimos dias as redes sociais e os jornais bombardearam a imagem da estudante de direito, Andressa Lustosa, sendo importunada sexualmente enquanto caminhava de bicicleta, por uma Avenida em Palmas, região sudoeste do Paraná. Nas imagens um homem dentro de um carro, passa a mão em Andressa, o que faz com que ela caia e se machuque.

Mas as marcas físicas se apagam, a psicológica fica. Os roxos da queda vão embora, mas a sensação de impunidade permanece. Os ralados se curam, mas o medo de andar livremente na rua continua.

Em entrevista cedida ao Fantástico, o delegado de Polícia Civil de Palmas afirma que o sujeito que passa a mão em Andressa, já tem passagem pela polícia e que inclusive consta em seu nome o crime de violência doméstica familiar, por ter agredido a própria mãe. TER AGREDIDO A PRÓPRIA MÃE! O que não faria com outras mulheres, não é mesmo? Inclusive, a mãe tem uma medida protetiva contra ele.

Em depoimento, o mesmo informa que “não tinha intenção de importunar a vítima”, mas é acusado de importunação sexual. Não há argumentos, há imagens!

A Lei Federal nº 13.718/2018, mais conhecida como Lei de Importunação Sexual, tornou crime “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”, com pena que pode variar de um a cinco anos de prisão.

A Lei foi criada em 2018, quando um homem em 2017, ejaculou em uma mulher dentro do transporte público de São Paulo. Desde então, o número de casos de importunação sexual aumentou no Brasil. Em 2020, delegacias registraram 15.245 episódios de importunação no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Porém esse número não representa a realidade das mulheres brasileiras. Imagine quantos casos acontecem dentro de casa, em faculdades, trabalhos… e que essas mulheres não relatam por medo.

Mulher não está à disposição do homem!

Ainda na reportagem ao Fantástico, Andressa protesta, “meu caso foi um entre trilhões que acontecem. Acho que a gente tem que pensar nesse momento na conscientização, porque só através disso vão acontecer mais denúncias, as mulheres vão denunciando mais e os abusadores vão ficar com medo”.

Sim, muitos casos são omitidos por medo. Sim, as denúncias precisam ser feitas.

Canais de denúncias contra violência doméstica ou qualquer abuso sexual:

180 ou 190

Por Aleadine Batista.

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