Setembro amarelo: como fica a saúde mental das mulheres?

Estamos na campanha do Setembro Amarelo, mês dedicado a valorização da vida e prevenção ao suicídio. E talvez falar da saúde mental das mulheres nunca tenha sido tão preciso. Mulheres à margem da sociedade tiveram com a pandemia suas vozes – que muitas vezes já não eram ouvidas – ainda mais silenciadas.

Mesmo quando crianças, meninas vivem em meio a dúvidas. Na adolescência e fase adulta, são receios que continuam. E todos os medos que rondam essas mulheres não são em vão. A nossa sociedade foi construída para medir cada passo que damos e essa realidade transforma, muitas vezes, o viver em uma grande pressão psicológica. 

Há o medo de sair na rua e não voltar. Há também o receio de responder a um assédio verbal e ser violentada. O receio diário de ser coagida ou não aceita dentro de um núcleo de pessoas. A preocupação de se vestir, comportar e agir conforme o que pede a sociedade, caso contrário, há exclusão. 

Há também mulheres que foram vítimas de violência. Essas, entram em um ciclo em que quase sempre a violação psicológica é presente. E quando o ciclo se encerra, ainda ficam os traumas que podem acompanhar uma mulher pelo resto de sua vida. 

De acordo com o Relatório do Ministério da Saúde e o Centro de Valorização à Vida (CVV), mulheres vítimas de violência têm 151 vezes mais chances de morrerem por homicídio ou suicídio que outras mulheres

A violência, seja ela qual for, mata! Nem sempre mulheres encontram um amparo. Quando denunciam, precisam reviver o trauma ou são desacreditadas. O conjunto do sistema que falha com o apoio a vítimas de violência é o que às vezes contribui para que esta mulher adoeça. 

As consequências psicológicas – a partir da violência ou do simples ato de viver – são como problemas apagados. Vezes não vistos, vezes ignorados. É preciso garantir que a saúde de cada mulher seja levada em conta. Das crianças, jovens, adultas, mães, avós e todas aquelas passíveis ao sistema que oprime. 

Conscientizar meninas e mulheres sobre seus direitos também é uma forma indireta de buscar levar mais saúde mental a essas vidas. Por agora, torço e daqui vou fazendo minha parte para que o objetivo da campanha do Setembro Amarelo não fique apenas nestes 30 dias. Mas que mulheres sejam acolhidas e que viver, aos poucos, não seja mais uma pressão constante. 

Hoje finalizo lembrando que independente da situação, VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA!

Vamos juntas? 

Por Ana Zampier

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