O prefeito de Matinhos, Eduardo Antonio Dalmora, determinou a abertura de uma Sindicância Administrativa Inquisitória para apurar a conduta e a atuação de agentes públicos municipais no atendimento prestado à gestante Aline Alves Jackes, de 33 anos, que morreu na última quarta-feira (26), após a perda das filhas gêmeas.
A medida foi oficializada nesta quinta-feira (27) e busca esclarecer se houve alguma irregularidade funcional no acompanhamento e nos atendimentos realizados anteriormente pela rede municipal de saúde.
Aline estava grávida de gêmeas e foi atendida em unidades de saúde de Matinhos antes de ser encaminhada ao Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, onde a mulher morreu.
A abertura da sindicância ocorreu após a Secretaria Municipal de Saúde encaminhar solicitara apuração dos atendimentos prestados à gestante.
Segundo a portaria, o objetivo é verificar a existência ou não de irregularidades na atuação dos servidores municipais envolvidos no atendimento. O procedimento, no entanto, não representa antecipação de culpa. A própria administração municipal ressalta que a investigação deverá garantir o contraditório e a ampla defesa aos envolvidos.
Comissão terá 60 dias para concluir investigação
Uma comissão permanente foi designada para conduzir a sindicância. O grupo será presidido por Henrique Buck Zella, com participação de Nathalia Battistella e Ernesto Cordeiro Junior como membros. Edicleia Espinel Santos e Tatiani Ribeiro foram indicadas como suplentes, enquanto Jeferson Almar Borges ficará responsável pelo apoio jurídico.
A comissão terá 60 dias úteis para realizar a instrução do procedimento e apresentar um relatório conclusivo à Administração Municipal.
Família relata dificuldades durante atendimento
O caso veio a público após o marido de Aline e pai das gêmeas, José Martins, relatar que a gestante vinha apresentando sintomas como pele e olhos amarelados, dores de cabeça, náuseas, vômitos e tontura.
Segundo o relato dele, Aline teria procurado atendimento médico em diferentes ocasiões e recebido orientações para retornar para casa. José também afirmou que, durante um atendimento realizado no dia 18 de agosto, exames da gestante teriam sido considerados normais.
O marido contesta essa avaliação e afirma que o quadro de saúde da mulher se agravou posteriormente.
Em nota divulgada após a morte, a Secretaria Municipal de Saúde de Matinhos lamentou o falecimento da gestante e das duas bebês e informou que acompanha o caso e adotará as providências técnicas e administrativas necessárias para apurar as circunstâncias relacionadas ao atendimento.
A Prefeitura também afirmou que está à disposição da família para oferecer acolhimento e suporte, incluindo acompanhamento psicológico pela rede municipal de saúde.
A sindicância deverá agora analisar os registros dos atendimentos realizados na rede municipal e os procedimentos adotados pelos profissionais envolvidos.


Imagem: TVCI 






