Nove pinguins-de-Magalhães foram devolvidos para o oceano nesta terça-feira (11), após concluírem o processo de reabilitação no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde da Fauna Marinha (CReD), do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Os animais foram resgatados na lha de Superagui, em Guaraqueçaba, durante a atual temporada de inverno pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado no litoral paranaense pelo LEC.
Entre 31 de maio e 31 de julho, o órgão registrou 198 pinguins-de-Magalhães encalhados no litoral do Paraná. Desse total, 165 foram encontrados mortos e 33 estavam vivos e foram encaminhados para atendimento especializado.
Os pinguins chegam todos os anos à costa brasileira entre maio e setembro, durante a migração em busca de alimento. A espécie se reproduz na Patagônia, na Argentina e no Chile, e percorre milhares de quilômetros pelo Atlântico Sul.
Segundo a equipe responsável pelo atendimento, muitos dos animais encontrados nas praias são juvenis e chegam debilitados após a longa viagem.
“Os pinguins normalmente chegam debilitados, com baixo escore corporal, desidratação, hipotermia e necessitando de cuidados intensivos para seguir com a migração. Além disso, durante os atendimentos também identificamos casos relacionados à interação com atividades humanas, como marcas de emalhe em redes de pesca”, explicou a médica-veterinária Juliana Bresciani.
Entre as ameaças enfrentadas pelos animais estão interações com redes de pesca e ingestão de resíduos sólidos.
Soltura é feita em grupo
Como os pinguins são animais que vivem em grupo, os nove animais foram devolvidos juntos ao ambiente natural. A estratégia busca favorecer a adaptação e aumentar as chances de sobrevivência durante o retorno à migração.
Para a bióloga Liana Rosa, a soltura representa o resultado do trabalho realizado pela equipe desde o resgate.
“Nosso objetivo é retornar esses animais ao oceano com as melhores condições de sobrevivência. Além disso, abrir esse momento para a comunidade é uma forma de aproximar as pessoas da ciência, sensibilizá-las sobre a conservação da fauna marinha e mostrar como esse trabalho integrado gera benefícios para toda a sociedade”, afirmou.
O trabalho envolve profissionais de diferentes áreas, desde o monitoramento das praias e o resgate até o atendimento veterinário, a reabilitação e o acompanhamento dos animais antes da soltura.
Segundo Camila Domit, bióloga, professora e coordenadora do projeto, o retorno dos pinguins ao oceano também representa uma oportunidade de aproximar a população das ações de conservação da fauna marinha.


Imagem: LEC/UFPR 






