A segunda fase da Operação Horímetro, deflagrada pela Polícia Civil do Paraná na última quinta-feira (30), segue repercutindo em Morretes. A investigação apura suspeitas de corrupção, fraude em contratações públicas, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo agentes públicos e empresários.
Entre os investigados estão o vice-prefeito de Morretes, Vitor Angelo Bertolin, o superintendente municipal de Obras e Projetos, José Ferreira de Lima, e o ex-secretário municipal de Obras, Guilherme Machado, que foi preso em um condomínio no Rio de Janeiro durante a operação, com apoio da Polícia Civil fluminense.
Por determinação da Justiça, Vitor Bertolin teve o exercício do cargo de vice-prefeito suspenso, enquanto José Ferreira de Lima foi afastado de qualquer função pública na Prefeitura de Morretes. Ambos também estão proibidos de frequentar repartições ligadas à Secretaria Municipal de Infraestrutura e de manter contato com testemunhas, servidores e demais investigados.
Em nota, a defesa de Vitor Bertolin e José Ferreira de Lima informou que busca acesso integral aos autos da investigação, que tramitam sob segredo de Justiça, e afirmou que irá colaborar com as autoridades para esclarecer os fatos.
Os advogados destacam que o procedimento ainda está na fase de investigação e que não há denúncia ou acusação formal apresentada contra os investigados.
Segundo a nota, deve ser respeitado o princípio constitucional da presunção de inocência, evitando julgamentos ou conclusões antecipadas antes da conclusão das investigações.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação identificou que o núcleo principal dos investigados movimentou aproximadamente R$ 43,9 milhões entre créditos e débitos.
Considerando pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado, o volume financeiro analisado ultrapassa R$ 100 milhões.
A Operação Horímetro investiga possíveis fraudes em contratos públicos, pagamento de vantagens indevidas, desvio de recursos públicos e ocultação de patrimônio.
O Ministério Público do Paraná informou que a Promotoria de Justiça de Morretes ainda não recebeu oficialmente o inquérito policial.
Segundo o órgão, o procedimento continua em andamento e aguarda a conclusão de diligências autorizadas pela Justiça, como a análise de quebras de sigilos telefônicos, telemáticos, bancários e fiscais.
As investigações prosseguem para apurar a origem e o destino dos recursos movimentados, além de verificar a eventual participação de outras pessoas no esquema investigado.
Prefeito contesta valores
Nesta semana, o prefeito de Morretes, Junior Brindarolli, publicou um vídeo nas redes sociais comentando a operação.
Na manifestação, o prefeito afirmou que o município não possui orçamento compatível com os valores divulgados pela Polícia Civil, fazendo referência aos mais de R$ 100 milhões em movimentações financeiras apontadas na investigação. Ele também apresentou dados sobre as receitas e despesas da administração municipal.
Câmara acompanhará investigações
O presidente da Câmara Municipal de Morretes informou que o Legislativo acompanhará o andamento das investigações.
Segundo ele, caso seja comprovado o desvio de recursos públicos ou identificados responsáveis pelos supostos crimes, a Câmara cobrará a responsabilização dos envolvidos, respeitando o devido processo legal.
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Imagem: TVCI 






