Em meio a segundo pico da COVID-19, Litoral não é contemplado com novos leitos hospitalares

A região permanece na vice-liderança na incidência de casos e de óbitos pela doença

Por Débora Mariotto e Gabriella Mariotto

Os boletins emitidos pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) classificam o litoral como zona de atenção pela alta incidência de casos e de óbitos provocados pela COVID-19. O litoral fica atrás, apenas, da Regional de Saúde de Foz do Iguaçu, que foi classificada como zona de emergência.

Mesmo com os índices alarmantes, a região ainda não foi contemplada com a criação de novos leitos na chamada “ala covid” do Hospital Regional do Litoral (HRL). Na última semana, foram 2,8 mil novos leitos criados em hospitais do estado.

Autoridades de saúde já reconhecem que o momento vivido hoje é mais preocupante que o encontrado na primeira onda. “Diversas medidas foram tomadas e é importante frisar que, apesar da gravidade do primeiro pico, nós não tivemos falta de leitos, mas nesse momento estamos atingindo a saturação”, explicou o médico João Claudio Campos Pereira, diretor-técnico do Samu Litoral.

“A situação hoje é mais preocupante que a da metade do ano. Estamos com alta incidência no litoral, o serviço de saúde está lotado, não só os hospitais, mas também os ambulatórios, há uma pressão de demanda”, complementa o diretor da 1ª Regional de Saúde, José Carlos de Abreu.

O número de casos confirmados no mês de novembro reafirma que o litoral já vive um segundo pico de contaminação pela COVID-19, com 2067 diagnósticos e 26 novos óbitos. É o maior registro desde o mês de julho, quando ocorreu o primeiro pico da doença.

A situação mais preocupante é a de Paranaguá, que confirmou 946 casos no mês de novembro. Sem novos leitos no HRL e sem condições de atender a alta procura no Hospital de Campanha do município, a prefeitura se viu obrigada a adaptar a Arena Albertina Salmon para servir como local de referência para atender pessoas com sintomas da COVID-19. “A gente prevê que o número de casos vai aumentar nos próximos meses, em decorrência do verão, pelo maior fluxo de pessoas aqui no litoral, e em decorrência da segunda onda pandêmica”, adianta o coordenador da sala de situação da Secretaria de Saúde de Paranaguá.

Falta de profissionais de saúde

Entre os motivos para adoção da Arena Albertina Salmon como ponto de referência para pacientes com suspeita de COVID-19 está a falta de profissionais de saúde.

“Está faltando profissionais, que estão ficando doentes em decorrência da COVID-19 ou de fatores adjuntos como ansiedade e extremo cansaço. Tem ainda as pessoas que estão afastadas porque são do grupo de risco. Então, a epidemiologia preferiu colocar como estratégia as consultas para sintomáticos naquele local que é bastante amplo e permite distanciamento”, explicou Gianfrank Tambosetti.

O mesmo problema foi destacado pelo diretor da 1ª Regional de Saúde. “As equipes estão estafadas, são mais de nove meses em ritmo acelerado de trabalho. Há muitos profissionais contaminados e há dificuldade em garantir oferta plena de serviço para a população.”, detalha Abreu.

Reflexos do  relaxamento

O primeiro pico da COVID-19, registrado no mês de julho, pode ser superado dentro de poucos dias. No início de dezembro, o litoral alcançou a expressiva marca de 10 mil diagnósticos da doença e, desde então, mais de mil novos casos foram confirmados.

Além disso, o Paraná completa nove meses de pandemia, com um sistema de saúde sobrecarregado e exausto.

Apenas na última semana (de 07 a 12 de dezembro), mais de 580 casos da COVID-19 foram confirmados nas sete cidades litorâneas. Prestes a iniciar uma nova temporada de verão, Abreu deixa um alerta para toda a população: “é um momento que exige cuidado. As pessoas tem que acreditar que a COVID está presente e ela só vai passar quando nós tivermos uma vacina que proteja as pessoas e enquanto isso nós devemos reforçar as conhecidas medidas de prevenção.”

A explosão de casos no litoral, assim como em todo o país, reflete um relaxamento da população com as medidas básicas de prevenção, como o uso de máscaras, a higienização das mãos e o distanciamento social.

“Entendo que parte do que estamos vivendo é reflexo de certa liberalização das pessoas em relação às restrições. As pessoas esqueceram como foi o tempo de restrição absoluta, que teve sucesso naquele primeiro momento. Então, houve uma aceleração em função das pessoas deixarem de lado essas medidas de restrição”, analisa Abreu.

 

Falta de leitos

Um levantamento feito pela Sesa neste domingo (13) aponta uma fila de 81 pedidos de transferência para leitos exclusivos para tratamento da COVID-19 em todo o estado. Sendo 13 para UTIs e 68 para enfermaria.

No litoral, o HRL, referência para cuidados intensivos do coronavírus no litoral, vem mantendo uma alta taxa de ocupação. Com capacidade para atender até 30 pacientes na ala covid, o último  balanço divulgado mostra que 28 pacientes estão internados.

O chefe da sala de situação da Secretaria de Saúde de Paranaguá, Gianfrank Tambosetti, informou que o hospital de campanha da cidade também já atingiu o limite de ocupação, mesmo com o aumento da oferta de leitos. Além disso, quatro pacientes que se encontram no local estão em estado considerado gravíssimo e precisam de cuidados avançados que só são ofertados pelo HRL.

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