Era madrugada entre 7 e 8 de fevereiro de 2025, quando o litoral do Paraná foi atingido por fortes chuvas. Paranaguá, Guaratuba e Morretes foram as cidades com maior acumulado. Mas, de longe, a região mais devastada pela enxurrada foi a área rural de Guaratuba. Há um ano, moradores da região trabalham para reconstruir a vida em um cenário que ainda remete àquela madrugada.
O acumulado de chuva teria provocado o rompimento da cabeceira do Rio Cubatão. A força da água arrastou imóveis, provocou duas mortes, deixou pessoas desalojadas e encobriu plantações. A localidade é a maior produtora de bananas do estado do Paraná.
“Não é uma sensação muito gostosa você ver o resultado de um ano de trabalho sendo arrastado pela força da água”, contou Elaine Cristina, agricultora.
Um ano após a tragédia, a vida no Cubatão, em Guaratuba, vai voltando aos poucos à normalidade, cenário que começou a melhorar há aproximadamente seis meses.
“Ali, ainda com cinco, seis meses, a gente passava em algumas áreas com o trator achando que dava pra limpar algumas estradas que estavam cheias de lodo e encalhamos. Foi um processo muito lento. Agora, depois de um ano, a gente pode dizer que sim, voltamos à normalidade, mas nós passamos o ano de 2025 inteiro sofrendo os efeitos da enchente”, relatou.
- Reprodução/TVCI
Quando se fala em eventos climáticos extremos no litoral, as chuvas de março de 2011 são frequentemente lembradas. Mas, para a população da área rural de Guaratuba, a tempestade de fevereiro de 2025 se tornou uma nova ferida.
“Em 2011, foi uma cheia, não foi forte igual a essa última. Essa última devastou tudo”, disse o agricultor Fernando. “Qualquer enchentezinha você já fica com o pé atrás, mas a gente tem que enfrentar, né.”
O casal que morreu na tragédia, Ana Paula e Irineu Alves, morava na região conhecida como Ribeirão Grande. A casa deles foi arrastada pela enxurrada, e os corpos foram localizados no dia seguinte, após uma força-tarefa do Corpo de Bombeiros e de outras forças de segurança.
Na mesma localidade morava Zuri e sua família. Naquela madrugada, eles acordaram ao ouvir barulhos de pedras embaixo do imóvel. Deixaram a casa levando apenas a roupa do corpo e documentos e buscaram abrigo em uma região mais alta do terreno, onde passaram a madrugada. No dia seguinte, puderam ver os estragos causados pela enxurrada. A plantação que ficava no terreno foi arrasada, e alguns animais morreram.
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Parte da casa havia sido arrastada pela água, restando apenas dois cômodos: a cozinha e o banheiro. Doze meses depois, a vida segue de forma adaptada.
“Quando chove a gente não faz comida, a gente tá lutando e levantando a cabeça”, contou a lavradora, Zuri Alves.
Uma casa de madeira foi erguida na parte mais alta do terreno como forma de precaução. Materiais de construção e outros itens continuam chegando à região para ajudar na reconstrução.
“Quem doou pra nós foi o pessoal da igreja católica de Guaratuba. Tô tocando a vida e é assim que vai ser. Vou ficar aqui até o dia que Deus me levar”, disse Zuri.
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