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Tubarão sem coração? Mistério intriga cientistas após descoberta inédita em Pontal do Paraná

Animal foi encontrado durante monitoramento da pesca em Pontal do Sul. Pesquisadores investigam se um parasita pode ter "devorado" o órgão antes da captura.
Foto: Rebimar

No universo dos oceanos, existem diversos animais que vivem sem coração, como águas-vivas, estrelas-do-mar e pepinos-do-mar, mas peixes, tubarões e raias dependem desse órgão vital para sobreviver. Por isso, quando pesquisadores abriram um cação durante uma necrópsia e perceberam que a cavidade cardíaca estava completamente vazia, o espanto foi imediato.

A descoberta, considerada incomum, ocorreu durante o monitoramento do desembarque pesqueiro realizado pelos projetos One (Blue) Health e Rebimar, desenvolvidos pela Associação MarBrasil, no litoral do Paraná.

O animal era um cação-rola-rola, também conhecido como cação-frango, um macho juvenil de 55 centímetros e 660 gramas, capturado de forma incidental por pescadores artesanais a cerca de 10 milhas da costa de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná.

A espécie é considerada vulnerável em nível mundial pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e quase ameaçada no Brasil, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Um enigma para a ciência

Após ser levado ao laboratório da Associação MarBrasil, o tubarão passou pelos procedimentos de rotina, como medições e registro fotográfico. Foi durante a necrópsia que surgiu a surpresa: simplesmente não havia coração.

Além da ausência do órgão, os pesquisadores identificaram danos nas brânquias e encontraram um parasita aderido à parte externa do estômago do animal. O organismo foi preservado para identificação, mas ainda não há confirmação de que tenha relação com o desaparecimento do coração.

A principal hipótese é que algum parasita tenha consumido o órgão antes mesmo de o tubarão ser capturado.

“Pode ser um verme, um crustáceo ou outro tipo de parasita que comeu o coração e, provavelmente, quando o tubarão caiu na rede de pesca, já estava morto ou quase morrendo”, explica a pesquisadora Rachel Ann Hauser-Davis, do projeto One (Blue) Health.

Ela conta que situações semelhantes já foram registradas anteriormente.

“Já encontramos outros tubarões sem algum órgão e com uma pequena perfuração embaixo da nadadeira, mas os pescadores nunca localizaram o parasita responsável.”

Investigação em várias frentes

Para tentar solucionar o mistério, os pesquisadores coletaram amostras de praticamente todos os tecidos do animal, incluindo cérebro, fígado, rim, músculo, pele, sangue, bile e conteúdo estomacal.

As análises serão realizadas por diferentes instituições brasileiras e vão investigar desde a presença de metais pesados e microplásticos até contaminantes emergentes, como resíduos de medicamentos, cafeína e cocaína, além de alterações microbiológicas e ecotoxicológicas.

Entre as instituições envolvidas estão a Fiocruz, a PUC-Rio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a própria Associação MarBrasil.

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