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Estupro de vulnerável lidera crimes contra crianças e adolescentes em Paranaguá nos primeiros meses de 2026

Levantamento do NUCRIA mostra 47 casos de estupro de vulnerável até 10 de julho; alguns crimes já se aproximam ou superam o total registrado durante todo o ano passado.

Casos recentes de violência contra crianças ganharam repercussão nacional e reacenderam o debate sobre a proteção da infância no Brasil. Em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, um pai foi preso após ser flagrado por câmeras de segurança chutando a própria filha, de apenas três anos. Já em Viamão (RS), um homem confessou à Polícia Civil ter espancado até a morte o filho da mesma idade porque a criança não deu “bom dia”.

Embora os episódios tenham ocorrido em outras cidades, os dados mostram que a violência contra crianças e adolescentes também é uma realidade preocupante em Paranaguá.

Dados do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA) apontam que, até o dia 10 de julho de 2026, o município já registrou dezenas de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes vítimas de diversos tipos de violência.

O crime com maior número de registros é o estupro de vulnerável, com 47 ocorrências. Na sequência aparecem ameaça (25 casos), lesão corporal (22), maus-tratos (22), importunação sexual (15) e armazenamento de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes (11).

Também foram registrados 10 casos de vias de fato, sete de satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente, seis de favorecimento à prostituição, seis de omissão de socorro, seis de perseguição, além de ocorrências de abandono de incapaz, corrupção de menores, difamação, subtração de incapazes, assédio sexual, ato obsceno e aliciamento de criança para fins sexuais.

De acordo com o delegado do Nucria, Emmanuel Brandão, alguns crimes, como o de agressão e violência doméstica, têm passado de geração para geração. “A gente tem muitas e muitas situações de rapazes de 18, 19, 20, 21 anos que já estão respondendo por crimes de ameaça e de lesão corporal contra suas namoradas de 16, 17 anos de idade, o que demonstra que essa cultura da violência está chegando nessa geração mais nova”, disse.

Ainda conforme o delegado, três fatores colaboram para o aumento de casos de maus-tratos, sendo eles o de denúncias a partir de ações educativas da PCPR, excesso de correção que colocam a vida e a saúde das crianças em risco e divergências familiares. “Muitos pais, mães e até avós, visando justamente ficar com a guarda desse jovem acaba registrando boletim de ocorrência por maus-tratos e solicita medida protetiva. Aí vai para o poder judiciário, muitos deferem e outros indeferem, e a gente instaura inquérito policial e no final não comprovado o crime e maus-tratos”, explicou. 

Números acendem alerta

Embora os dados de 2025 representem o ano completo e os de 2026 sejam parciais – contabilizados até 10 de julho -, eles ajudam a dimensionar a gravidade do cenário.

Alguns crimes registrados neste ano já se aproximam do total contabilizado ao longo de todo o ano passado. É o caso dos maus-tratos, que já somam 22 ocorrências, praticamente o mesmo número registrado durante todo o ano de 2025, quando foram contabilizados 23 casos.

Outro dado que chama a atenção é o de armazenamento de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. Até julho deste ano, Paranaguá registrou 11 ocorrências, número que já supera com folga os dois casos registrados durante todo o ano de 2025.

Já o crime de estupro de vulnerável contabiliza 47 registros em pouco mais de seis meses, volume que corresponde a cerca de dois terços das 74 ocorrências registradas ao longo de todo o ano passado.

Realidade acompanha cenário nacional

Os números de Paranaguá refletem uma realidade observada em todo o Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, crianças e adolescentes continuam sendo as principais vítimas dos crimes de violência sexual no país.

O levantamento aponta que a maioria das vítimas é do sexo feminino e que grande parte das agressões ocorre dentro da própria residência. Em muitos casos, o autor é alguém próximo da criança, como pais, padrastos, familiares ou pessoas de confiança.

O anuário também alerta para a subnotificação. Especialistas acreditam que muitos casos nunca chegam ao conhecimento das autoridades por medo, dependência emocional da vítima ou ameaças feitas pelos agressores.

Como denunciar

Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, além dos Conselhos Tutelares, Polícia Civil e Polícia Militar.

Especialistas orientam que mudanças bruscas de comportamento, medo excessivo, isolamento, lesões sem explicação, queda no rendimento escolar e alterações emocionais podem indicar que uma criança esteja sendo vítima de violência.

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