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Saiba o motivo da prisão do Padre Binu; sacerdote é investigado por cinco denúncias

Religioso teria descumprido medidas judiciais e procurado vítimas e testemunhas para combinar versões sobre os fatos investigados.

O padre Binu Joseph foi preso nesta terça-feira (11), em Paranaguá,  durante o cumprimento de um mandado de prisão pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR). O sacerdote teria descumprido medidas impostas pela justiça e abordado testemunhas ligadas ao caso,  com o objetivo de combinar versões sobre os fatos investigados.

“O líder religioso investigado pela prática de crimes de violação sexual mediante fraude, com abuso de autoridade religiosa, e violência psicológica contra uma mulher, praticados entre 2017 e 2024. O pedido de prisão decorre do descumprimento de medidas cautelares previamente estabelecidas pelo Poder Judiciário, sendo constatado que ele vinha realizando instruções e abordagens a testemunhas, colocando em risco a instrução dos processos em que é réu”, explicou o MPPR à TVCI.

Fontes da TVCI ligadas à Diocese de Paranaguá informaram que a instituição não foi comunicada oficialmente sobre a prisão do padre Binu Joseph até o momento.

O religioso já havia sido afastado de suas funções após a repercussão das primeiras denúncias. Na ocasião, a Diocese de Paranaguá informou a abertura de procedimento interno canônico para apurar as acusações.

Defesa ainda não teve acesso aos documentos

O advogado Giordano Reinert, que representa o padre Binu Joseph, informou que ainda não teve contato com o religioso após a prisão e que também não teve acesso aos documentos referentes ao caso.

Segundo a defesa, por esse motivo, neste momento não é possível conceder entrevista, apresentar informações detalhadas ou divulgar uma nota oficial sobre a prisão. O advogado afirmou que deverá se manifestar depois de ter acesso à documentação e às informações do processo.

Novas denúncias do Ministério Público

A prisão ocorre após uma série de acusações apresentadas pelo Ministério Público do Paraná. A 3ª Promotoria de Justiça de Paranaguá ofereceu denúncia criminal contra o religioso pela prática dos crimes de violação sexual mediante fraude, com abuso de autoridade religiosa, e violência psicológica contra uma mulher.

Segundo a denúncia, os fatos teriam ocorrido entre 2017 e 2024. Conforme a acusação, o padre teria se aproveitado da posição de liderança religiosa e da relação de confiança estabelecida com a vítima para praticar atos libidinosos e, posteriormente, submetê-la a diferentes formas de violência psicológica.

Ainda de acordo com o MPPR, entre 2017 e março de 2020, o religioso teria utilizado supostos rituais de oração, cura e libertação espiritual para praticar atos libidinosos contra a mulher, em dependências da igreja e na residência paroquial.

A denúncia aponta que, quando a vítima passou a questionar as condutas e tentou se afastar, o religioso teria adotado medidas para controlá-la e intimidá-la, incluindo ligações e mensagens insistentes. Ele também teria utilizado a autoridade religiosa para desacreditá-la e feito ameaças relacionadas a supostas “pragas” que poderiam causar doenças nela e em familiares.

As condutas de violência psicológica, segundo o Ministério Público, teriam continuado até aproximadamente a metade de 2024, por meio de ameaças, constrangimentos, manipulação, humilhação, chantagem e isolamento.

Relembre o caso

As primeiras denúncias formalizadas contra Binu Joseph ganharam repercussão em 2025. Um dos casos investigados pelo Ministério Público envolve uma jovem que teria sido vítima de importunação sexual em fevereiro de 2022, dentro de uma igreja na Ilha dos Valadares, em Paranaguá.

Segundo a acusação, a jovem tinha 20 anos e teria sido importunada pelo religioso durante um momento de oração.

Após a repercussão da denúncia, em outubro de 2025, a Diocese de Paranaguá anunciou o afastamento do padre e informou que seria instaurado procedimento interno para apuração dos fatos.

Também foram apresentadas acusações relacionadas a outros períodos e localidades do Paraná. Entre os casos investigados está uma denúncia envolvendo uma adolescente em Bocaiúva do Sul, que teria sido tocada durante um suposto “benzimento especial”.

Em março de 2026, a Justiça do Paraná condenou o padre Binu Joseph por crimes relacionados a importunação e violação sexual, com pena inicialmente estabelecida em regime semiaberto.

A nova prisão, cumprida pelo Gaeco nesta terça-feira (11), está relacionada ao descumprimento de medidas judiciais e à suposta tentativa de interferência na produção de provas por meio da abordagem de testemunhas.

 

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