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Grupo suspeito de fraudar “Prova Paraná Mais” é alvo de operação

Conforme a investigação, dois estudantes do município de Tapejara tiveram acesso aos celulares durante a prova, pesquisaram respostas e repassaram aos outros alunos envolvidos.
Foto: PCPR

Na última segunda-feira (23), a Polícia Civil do Paraná cumpriu ordens judiciais contra oito investigados em um inquérito que apura fraude na Prova Paraná Mais. Entre os alvos estão sete alunos e uma fiscal da prova. Os mandados foram cumpridos nas cidades de Tapejara, Londrina, Maringá e Ponta Grossa.

Segundo o diretor de Educação da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), Anderfabio de Oliveira, em fevereiro, quando a equipe de especialistas da secretaria recebeu o resultado preliminar da prova, foi identificado um padrão de respostas vindo de um mesmo colégio na cidade de Tapejara, no interior do estado.

O diretor explicou que a descoberta ocorreu a partir da Teoria de Resposta ao Item. Nessa metodologia, o estudante é posicionado em uma escala de aprendizagem. O sistema cruza os padrões de desempenho e aponta estudantes que estavam em nível básico ou abaixo e que, de repente, apresentam um padrão de respostas avançado.

“É bom destacar que a secretaria tem um banco de dados muito grande relacionado à aprendizagem e aos padrões de aprendizagem dos nossos estudantes. Constatou-se que existia uma fragilidade e uma semelhança atípica, excepcional no padrão de resposta de um grupo de estudantes”, detalhou Anderfabio de Oliveira.

A partir da identificação desse padrão, a Secretaria de Educação acionou a Secretaria da Segurança Pública do Paraná, que deu início às investigações. Segundo a Seed, o caso é pontual.

De acordo com a Polícia Civil, dois estudantes tiveram acesso aos celulares durante a prova, pesquisaram respostas e repassaram aos outros alunos envolvidos. Dessa forma, teriam obtido aprovação em universidades de maneira irregular. A fraude teria partido dos próprios estudantes. A investigação também apura a participação da fiscal, para verificar se ela teria facilitado o uso dos aparelhos ou se teria se omitido. Segundo a delegada Taís Melo, não foram identificados pagamentos entre os envolvidos.

Dos sete investigados, seis estudantes já haviam efetuado matrícula em universidades. Cinco deles ingressaram no curso de medicina em Universidades Estaduais de Londrina, Maringá e Ponta Grossa. O sétimo aluno investigado não chegou a realizar matrícula.

O grupo pode responder pelos crimes de fraude em certames públicos e corrupção de menores. Já os adolescentes podem responder por ato infracional análogo a esses crimes.

Após a conclusão das investigações, devem ser definidas possíveis punições. Segundo a Seed, medidas proporcionais e cabíveis deverão ser adotadas para preservar a lisura e a credibilidade do programa, que representa uma oportunidade de acesso ao ensino superior.

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