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Filhote de elefante-marinho-do-sul é reabilitado e solto no litoral do Paraná em ação inédita

O animal foi encontrado em 26 de dezembro durante uma ação de monitoramento da orla realizada pela Polícia Militar do Paraná.
Imagem: LEC-UFPR

O filhote de elefante-marinho-do-sul, que estava sob cuidados do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná, foi reabilitado e devolvido ao oceano nesta quarta-feira (21), em uma área próxima ao Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais. A soltura marca a primeira liberação de um filhote da espécie no estado após dez anos de atuação do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

O animal foi encontrado em 26 de dezembro durante uma ação de monitoramento da orla realizada pela Polícia Militar do Paraná. Seguindo o Protocolo de Resposta a Encalhes de Animais Marinhos (PRAE), a equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR) foi acionada e assumiu o atendimento do caso.

Segundo a coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, professora Camila Domit, a ocorrência já seria rara por si só, mas torna-se ainda mais relevante por se tratar de um filhote. A espécie possui distribuição subantártica, com registros mais comuns entre a Argentina e ilhas Antárticas e subantárticas. “No Brasil, geralmente aparecem indivíduos juvenis ou adultos errantes. O registro de um filhote no Paraná é inédito e acende um alerta sobre possíveis mudanças nas condições ambientais do oceano”, explicou.

Reabilitação e cuidados intensivos

Após a avaliação inicial, o filhote foi encaminhado ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD), estrutura especializada do LEC-UFPR. Os exames confirmaram que se tratava de um macho, com cerca de três a quatro meses de idade, 1,79 metro de comprimento e aproximadamente 66 quilos.

Durante a avaliação clínica, os veterinários identificaram sinais de secreção respiratória e um quadro de pneumonia. De acordo com o médico veterinário Fabio Henrique de Lima, responsável técnico pelo PMP-BS/LEC-UFPR, a condição exigiu tratamento imediato. “Era um quadro sério, especialmente por se tratar de um animal jovem, que não teria condições de sobreviver sozinho naquele momento”, afirmou.

O filhote passou por tratamento medicamentoso, monitoramento clínico constante, alimentação controlada e estímulos comportamentais, como o incentivo à caça. Após a recuperação e a estabilização do quadro de saúde, a equipe técnica concluiu que o animal estava apto para retornar ao ambiente natural.

Monitoramento por satélite

Antes da soltura, o filhote recebeu um microchip de identificação e, de forma inédita no Paraná, um transmissor satelital. O equipamento permitirá o acompanhamento em tempo real de sua trajetória no oceano, fornecendo dados sobre deslocamento, profundidade dos mergulhos, padrões de nado e possíveis áreas de alimentação.

A instalação foi realizada em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), responsável técnica pelo PMP-BS nos estados do Paraná e Santa Catarina. Segundo o coordenador geral do projeto na região, André Barreto, o transmissor pesa cerca de 100 gramas e não interfere no comportamento do animal. “Essas informações são valiosas, especialmente por se tratar de um filhote. Ainda sabemos pouco sobre os primeiros deslocamentos da espécie após a reabilitação”, destacou.

Orientações à população

Mesmo após a soltura, há a possibilidade de o filhote ser avistado novamente em praias do litoral paranaense ou de estados vizinhos. De acordo com a bióloga Liana Rosa, gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR, esse comportamento é natural, já que os elefantes-marinhos utilizam áreas costeiras para descanso durante longas migrações.

A orientação à população é manter distância, não tocar, não alimentar e acionar imediatamente o PMP-BS em caso de avistamento. “A aproximação de pessoas pode causar estresse e comprometer a recuperação do animal”, alertou.

A soltura do filhote representa não apenas a recuperação de um indivíduo, mas também um avanço científico e institucional. O caso reforça a importância do monitoramento contínuo da fauna marinha, da atuação integrada entre instituições e do papel da ciência na conservação dos oceanos.

 

Com informações do LEC

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